Bitcoin: o que é BTC e como surgiu a criptomoeda mais famosa do mundo?

Primeira moeda digital descentralizada do mercado, o bitcoin é o criptoativo mais conhecido em todo o mundo e tem características específicas, como o limite de emissão. Saiba o que é bitcoin, como investir e acompanhar sua cotação

Por Redação  /  9 de novembro de 2023
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O bitcoin (BTC) é a criptomoeda mais conhecida no mundo. Afinal, foi a primeira moeda digital descentralizada criada. A origem do nome partiu da combinação de bit, que se refere a código ou dígito binário, e coin que é a palavra em inglês para moeda.

Tal como dinheiro, o bitcoin é uma representação de valor. Ao longo da história, diversos materiais tiveram essa função, como o sal, o trigo, conchas marinhas e o ouro. Todos eles dependiam da confiança para realmente terem valor. Ou seja, era um sistema baseado na confiança

De 150 anos para cá, isso mudou e passamos a confiar nos bancos. Antes usava-se ouro como meio de troca, mas devido ao incômodo que era andar com barras de ouro, criou-se algo que representasse o valor do ouro: o papel-moeda. Então, quem detinha certa quantidade de ouro, tinha a opção de depositá-lo nos bancos e receber, em troca, um certificado de que havia depositado aquele valor em ouro na instituição.

Contudo, o vínculo da nota de papel com o ouro depositado se rompeu completamente por volta dos anos 1970. Hoje são os próprios governos os responsáveis por manter o valor do papel moeda. Assim, esse sistema segue funcionando em razão da confiança que as pessoas têm nos governos.

Se hoje as pessoas custam a entender essa nova forma de dinheiro chamada bitcoin, imagina como foi quando do uso do papel moeda. E hoje estamos exatamente nesse momento, na mudança de paradigma da representação de valor.

O que é bitcoin?

O bitcoin é uma moeda virtual descentralizada, de código aberto e totalmente digital. Ele também é conhecido pela sigla BTC, o símbolo da criptomoeda.

Para funcionar com essas características específicas, a operação do BTC depende de uma tecnologia chamada blockchain, que possibilita o registro público de todas as transações realizadas. Assim, tanto o ativo quanto a rede possuem o mesmo nome. 

Entretanto, existe uma pequena diferença na nomenclatura. Enquanto a rede blockchain é chamada de Bitcoin, a criptomoeda é bitcoin (BTC).

Como o bitcoin funciona?

O bitcoin se baseia em um protocolo público de código único que é aberto e descentralizado. Assim, diferentemente do dinheiro tradicional, como o dólar ou o real, não depende do controle do governo ou emissão de um banco central. Ou seja, não tem relação com qualquer intermediário. Além disso, é totalmente digital.

A criptomoeda depende de uma rede peer to peer (P2P), que significa ponto a ponto em português, para funcionar nestas circunstâncias. Esse mecanismo chamado blockchain consiste em uma corrente de dados interligada por blocos criptografados que transmitem e registram todas as operações.

Cada bloco tem o próprio código e o do anterior. Então, a mineração é uma dinâmica usada para verificar os dados e garantir a segurança no ambiente virtual.

A dificuldade desse processo é denominada taxa hashrate. Ela aumenta automaticamente a cada 2.016 novos blocos. Assim, a variação depende do potencial dos equipamentos que se conectam à rede. O tempo médio para esse ajuste geralmente é de duas semanas.

Outras especificidades encontradas no código do bitcoin são: limite de emissão, termos para transações e regras de integração com outros projetos da rede. 

Quem criou o bitcoin?

O bitcoin foi criado por Satoshi Nakamoto, pseudônimo do idealizador, para ser parte de um sistema de pagamentos. Primeiro ele divulgou o artigo Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System descrevendo o funcionamento da criptomoeda em um grupo de discussão na internet em 2008. No ano seguinte, Nakamoto apresentou a versão inicial do software e convidou outros desenvolvedores a participarem do projeto.

A primeira transferência de BTC foi em 12 de janeiro de 2009. Satoshi Nakamoto, que ainda tem a identidade desconhecida, enviou bitcoins para Hal Finney, um desenvolvedor de games que apoia a descentralização financeira. Entretanto, a primeira transação comercial reconhecida foi o pagamento de 10 mil bitcoin por duas pizzas em 22 de maio de 2010.

Por que a criptomoeda foi criada?

O white paper de Nakamoto tinha como proposta resolver as inconveniências do dinheiro tradicional, seja ele digital ou físico. Como as moedas fiduciárias oferecem diversas desvantagens, ele criou uma moeda digital descentralizada.

Os principais argumentos contra as moedas fiduciárias são a existência de uma autoridade central que controla e emite o dinheiro, e também a falta de limite em quantidade, causando a inflação, ou seja, diminui o poder real de compra. Além disso, esses fatores dão grande poder às instituições, resultando, geralmente, em corrupção, má gestão do dinheiro público e falta de controle do dinheiro pelos cidadãos – por exemplo, um governo pode confiscar sua conta corrente.

As vantagens das criptomoedas

A minoria das pessoas tem acesso a um sistema bancário completo no sistema tradicional. A proposta do bitcoin é oferecer um sistema semelhante, mas com características resultantes em vantagens e maior acessibilidade. Alguns exemplos de benefícios são:

  • Por não ter fronteiras geográficas, se a economia de um país for afetada negativamente, o valor do bitcoin não será impactado;
  • Nenhum governo ou autoridade poderá confiscar, impor limite de gastos ou impedir que o ativo seja usado;
  • Os valores de tarifas para fazer transações internacionais são muito mais acessíveis que a de bancos e outras instituições financeiras;
  • Facilidade de acesso por precisar de um simples celular para ter acesso ao sistema de criptomoedas;
  • Por ser descentralizado, não tem dono ou gestão de uma empresa, mas a participação de diversos computadores. Se algum hacker quiser atacar o sistema, terá que atacar milhares de computadores que têm a cópia da blockchain, assim, diminui a vulnerabilidade e aumenta a segurança;
  • A transparência é relacionada a qualquer pessoa poder ver todos os saldos e transações, mas não consegue ver a quem pertencem.

Assim, com essas vantagens, qualquer pessoa pode usar BTC para fazer transações globais de forma fácil, ágil e com baixo custo.

Qual o preço do bitcoin (BTC) hoje?

Veja o gráfico de preço do bitcoin agora:

O mercado cripto funciona globalmente, 24 horas por dia e sete dias por semana. Por isso, o TradingView apresenta uma média de preço das principais exchanges. Então, o preço pode ser diferente dos valores das corretoras.

Para aproveitar as oportunidades de arbitragem, estratégia comum em trading, é melhor utilizar plataformas como o Coin Trade Monitor.

Como é definido o preço do bitcoin?

A cotação tem como base o valor das últimas negociações do mercado, seguindo uma lógica semelhante a commodities. É basicamente a transposição de um movimento de oferta e demanda, um conceito universal da economia, para o meio digital.

Ou seja, se mais pessoas estão querendo comprar bitcoin, o preço vai subir. Por outro lado, se há mais pessoas vendendo, o preço vai cair para tentar equilibrar essa relação.

Existem diversos fatores que podem fazer com que o preço aumente, por exemplo, adoção institucional, hype, escassez da oferta e perda de confiança das moedas fiduciárias (inflação). Já uma regulação que dificulte o uso de criptoativos ou um despejo de moedas no mercado pode fazer o preço cair.

E onde é definido o preço do bitcoin? Nas exchanges, onde ele é comprado e vendido. O preço do bitcoin é, assim, o último valor negociado. E não há limites de dias e horários para negociação de criptoativos. Ou seja, há cotações atualizadas a todo momento, 24 horas por dia, sete dias por semana.

Enquanto isso, as moedas fiduciárias passam por intervenção de Bancos Centrais para controle da inflação. Como existem criptomoedas com valor atrelado ao dinheiro tradicional, como as stablecoins, essa intervenção pode acabar acontecendo indiretamente no mercado cripto.

Quando vale a pena comprar bitcoin? 

O bitcoin tem características que flexibilizam a função do ativo, por isso, ele é capaz de ser muito mais do que uma moeda digital.

A compra de BTC pode ser interessante para:

Transações financeiras

A proposta de usar bitcoin para pagamentos cotidianos é limitada pela falta de regulamentação, desconhecimento e proibição de ativos digitais.

Então, embora os criptoativos sejam tendência de pagamentos no Brasil, atualmente é impossível trocar totalmente o dinheiro fiduciário pelas criptomoedas.

Por outro lado, o baixo custo das operações é um grande diferencial e estímulo para empresas que desejam expandir os mercados ao nível internacional e reduzir despesas administrativas.

Leia mais: Como o investimento institucional em criptomoeda é importante?

Reserva de valor 

O dinheiro fiduciário perde valor ao longo do tempo pelo aumento da circulação da moeda proposto anualmente pelos governos. Enquanto isso, o bitcoin possui um mecanismo para evitar problemas com inflação.

O sistema inclui a escassez programada para preservar o valor de mercado. Assim, a emissão é limitada em 21 milhões de unidades, e a cada quatro anos acontece o halving, evento no qual a recompensa pela mineração é cortada pela metade. 

Essa lógica usada pelo bitcoin é semelhante a do ouro. Ou seja, a disponibilidade limitada e aumento da demanda resultam na valorização de médio e longo prazo.

Investimento financeiro

A valorização e lucratividade estimulam as pessoas a comprar BTC. Entretanto, a expectativa pelo retorno financeiro pode ser de médio ou curto prazo.

Alguns exemplos de dinâmicas com esse objetivo são day trade e swing trade. Nestes casos, a compra de moedas acontece em momentos de desvalorização e a vende quando há alta no mercado. Por causa disso, o BTC é conhecido pela volatilidade e falta de garantia de lucros.

Ainda assim, o bitcoin foi o melhor investimento de 2023, apresentando 136,45% de rentabilidade. Por outro lado, a rentabilidade do ouro e o dólar foram negativas, sendo consideradas as piores da lista.

Então, antes de decidir sobre comprar bitcoin, pense se os seus objetivos estão alinhados com o oferecido pela criptomoeda. Considere a facilidade e rapidez das transações, baixas taxas, alta volatilidade, regulamentação em desenvolvimento, escassez programada e atuação estritamente no digital. 

Como comprar Bitcoin?

Para comprar bicoin não é necessário adquirir 1 BTC completo, afinal, a criptomoeda pode ser dividida em pequenas frações chamadas de “satoshis”. Sendo assim, é possível adquirir uma fração a partir de R$ 1. 

Você pode conseguir bitcoin em:

  • Corretoras especializadas, como o Transfero App;
  • Negociação direta entre usuários (P2P);
  • Jogos play to earn;
  • Mineração;
  • Recebimento de outra pessoa;
  • Fundos de investimento;
  • ETFs na bolsa de valores.

Uma dica é acompanhar o mercado e aproveitar os momentos de baixa para comprar criptomoedas.

Agora que você já entende o que é bitcoin e como funciona o mercado cripto, o que acha de ver o nosso conteúdo sobre como investir em bitcoin?

Dúvidas frequentes sobre bitcoin (BTC)

Bitcoin (BTC) é uma criptomoeda criada por Satoshi Nakamoto em 2008. Ela é a mais famosa do mundo por ter sido a primeira moeda digital descentralizada lançada.
Um dos principais motivos para ser considerado seguro é por causa da tecnologia blockchain usada no código do bitcoin. Além de criptografia, o sistema conta com uma mecânica de verificação que usa a mineração para manter a integridade e segurança das movimentações.
A cotação do bitcoin é feita com base na oferta e demanda pelo ativo. Assim, o preço é variável conforme o valor das últimas negociações do mercado.
Você pode comprar bitcoin em corretoras de criptomoedas, em jogos, por meio de fundos de investimento e ETFs. 
O BTC ainda possui diversas limitações, por exemplo, necessidade de acesso à internet e falta de regulamentação. Assim, ele ainda deve ser complementar as moedas fiduciárias.
A mineração de bitcoin exige equipamentos potentes e grande quantidade de energia. Por isso, é um processo industrial executado por empresas altamente especializadas.

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