Ouro digital: entenda o que isso tem a ver com o bitcoin

A oferta limitada do bitcoin assemelha-se à escassez do metal precioso na natureza; por isso, muitos o consideram “ouro digital”

Por Redação  /  26 de abril de 2022
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O ouro é um metal naturalmente escasso e que não pode ser “fabricado”. Por ser raro e ter a característica de não sofrer corrosão facilmente, ao longo da história ele foi utilizado como instrumento de poder, meio de pagamento e, mais recentemente, como reserva de valor. Afinal, sua escassez – hoje, estima-se que existam somente 50 mil toneladas de reservas subterrâneas em todo o mundo – é o que garante a valorização. 

Esse é o mesmo princípio do bitcoin, que tem oferta limitada a 21 milhões, sendo que 19 milhões já foram minerados. Com isso, o BTC vem se tornando uma boa alternativa para reserva de valor e também sendo chamado de ouro digital. 

Michael Saylor: “bitcoin é ouro digital”

Foi assim que o CEO da MicroStrategy, Michael Saylor, definiu a moeda líder do mercado, durante live do Valor Invest, no ano passado. “Bitcoin é o ouro digital. E está mais do que claro que o ouro digital é uma ideia melhor do que o ouro propriamente”, afirmou

Segundo ele, o bitcoin é um ativo único, e por isso a MicroStrategy resolveu investir nele. “Nenhum outro bem será feito somente 21 milhões de vezes”, destacou. Antes dessa decisão, a empresa avaliou investimentos diversos, como imóveis, ações, obras de arte e até equipes esportivas. De acordo com Saylor, o BTC se mostrou a melhor alternativa para evitar perdas e desvalorização do capital.

Também no ano passado, o banco suiço Julius Baer divulgou um relatório aos acionistas destacando que, apesar de não possuir as mesmas características que o ouro, o bitcoin tem potencial para mudar no futuro. “Embora os reguladores permaneçam muito críticos sobre isso, as empresas parecem muito mais abertas para explorar o potencial da tecnologia, principalmente em torno de finanças descentralizadas (DeFi)”, diz o documento

Volatilidade do bitcoin não é obstáculo

Mas, apesar de Saylor e outros entusiastas do mercado cripto defenderem a ideia de que, sim, o bitcoin pode ser considerado ouro digital, existem controvérsias, que apontam, principalmente, a volatilidade da moeda como um obstáculo.

Como comparação, o ouro, por exemplo, é uma reserva de valor e se comporta como uma moeda sem inflação. Assim, quando os bancos centrais definem juros baixos em relação à inflação, torna-se mais vantajoso ter ouro do que a moeda fiduciária. Já o bitcoin tende a oscilar conforme condições de mercado, como expectativa de regulação ou restrições de uso por parte de governos, adoção por empresas e defesa por parte de figuras públicas, entre outros motivos.

Mas, de acordo com a Transfero, embora a criptomoeda seja muito volátil no curto prazo, ela apresenta tendência de valorização no longo, seja pela oferta limitada, seja pela recompensa dos mineradores, que cai ao longo do tempo, fazendo com que valha cada vez menos a pena minerar novos bitcoins. “Portanto, à medida que novas pessoas entram no mercado, com a oferta limitada, o preço tende a subir”, afirmou o CFO da Transfero, Carlos Russo, em artigo publicado pelo PanoramaCrypto. Para o especialista, o bitcoin é, inclusive, melhor do que o ouro.