Pagamento blockchain offline? Sim, é possível

A Caixa Econômica Federal e a Elo uniram forças para criar uma solução off-chain de pagamentos digitais. Testes já estão sendo realizados em uma cidade do Pará.

Rafael Motta  /  10 de julho de 2025
Imagem gerada por Inteligência Artificial Imagem gerada por Inteligência Artificial

Desenvolvedores estão criando sistemas que permitem pagamentos em blockchain offline, viabilizando transações mesmo sem conexão à internet. Iniciativas como as da Elo e da Caixa Econômica Federal buscam essas soluções, especialmente em regiões com baixa conectividade no Brasil, onde apenas 22% da população tem acesso à internet de alta qualidade. O funcionamento envolve o registro temporário das transações, que são concluídas assim que a conexão é restabelecida, utilizando tecnologias como sidechains e rollups. O primeiro grande teste ocorreu em abril de 2025 em São Sebastião da Boa Vista, com a expectativa de ampliar o acesso financeiro em áreas desbancarizadas.

Resumo supervisionado por jornalista.

Mesmo em um mundo cada vez mais online, perder a conexão é algo que pode acontecer a qualquer momento devido a vários fatores. Mas nada disso precisa afetar os negócios: desenvolvedores estão estruturando sistemas que permitem fazer pagamentos em blockchain offline – ou seja, mesmo sem uma conexão com a internet.

Pode parecer paradoxal à primeira vista, mas existe uma explicação técnica bastante clara. Tanto é que Elo e Caixa Econômica Federal testam pagamentos offline por meio de blockchain, especificamente em regiões onde a conectividade é baixa ou inexistente, segundo informações do BeInCrypto.

Como um pagamento blockchain offline funciona?

Blockchain é uma espécie de livro-razão digital, onde todas as transações são registradas na rede. No entanto, em vez de realizá-las imediatamente, elas são “anotadas em um guardanapo” temporariamente, sendo concluídas quando houver uma conexão estável à internet.

Um sistema de pagamentos digitais pode armazenar várias dessas “anotações” de transações em um único local e, depois, registrá-las de uma só vez na blockchain. 

Esses mecanismos de pagamento, também conhecidos como off-chain, geralmente se referem a soluções de segunda camada (Layer-2). Elas operam “sobre” a blockchain principal para processar as movimentações de maneira mais rápida, barata e personalizada.

Sidechains (blockchains separadas da rede principal) costumam ser configuradas para permitir transações off-chain. Isso ocorre porque a grande maioria das blockchains mais conhecidas não permite pagamentos blockchain offline nativamente. Rollups (que agrupam centenas ou mesmo milhares de transações de uma vez) também são comuns.

Quando uma operação de compra ou venda de criptoativos é feita dentro de uma exchange centralizada, elas normalmente ocorrem off-chain. Os bancos de dados internos recebem as informações referentes às transações para, então, enviá-las para a rede principal de destino. Essa tecnologia, no entanto, está sendo testada e inserida também nos sistemas de pagamentos.

Brasil: muitos (mal) conectados

Existe uma razão por trás da iniciativa citada no início do artigo: dados da pesquisa TIC Domicílios 2024 apontam que apenas 22% da população brasileira tem acesso a internet de alta qualidade.

Essa limitação na infraestrutura faz com que negociar ativos digitais, sobretudo em regiões mais isoladas, torne-se uma tarefa mais difícil. Mesmo que 84% da população acesse a internet (cerca de 156 milhões de pessoas), a maior parte conta com conexões instáveis e de baixa velocidade.

Um dos primeiros grandes testes da funcionalidade foi feito no dia 4 de abril de 2025, na cidade paraense de São Sebastião da Boa Vista. Conhecida como um dos maiores símbolos da população ribeirinha, espera-se que a iniciativa amplie o acesso financeiro às populações desbancarizadas e com dificuldades para conseguir ficar online.

Ainda não há uma previsão oficial sobre quando o serviço da Caixa e da Elo será lançado oficialmente em todo o território nacional. No entanto, caso a empreitada seja bem-sucedida, espera-se que se espalhe por outras cidades com problemas semelhantes.