Com a digitalização da economia, novas formas de pagamento e investimento surgem para tornar os processos mais eficientes. Neste cenário, as stablecoins ganham cada vez mais espaço por unirem a estabilidade de moedas tradicionais com as principais vantagens da tecnologia cripto, como transações rápidas e de baixo custo.
Enquanto as moedas digitais emitidas por bancos centrais (CBDCs) ainda estão em fase de desenvolvimento, empresas e usuários já adotam as stablecoins como uma solução prática e disponível hoje. Para se ter uma ideia, o volume de transações com estes ativos ultrapassou US$ 27 trilhões em 2024, superando gigantes dos pagamentos como Visa e Mastercard somadas.
Mas, afinal, o que são esses ativos digitais, como funcionam e para que são usados? Entenda a seguir por que esse criptoativo está em alta e como ele pode impactar suas finanças.
- O que são stablecoins?
- Como as stablecoins mantêm seu valor estável?
- Para que servem?
- Quais são as vantagens?
- Como comprar?
O que são stablecoins?
Stablecoins são moedas digitais criadas para terem um preço estável. O próprio nome já indica sua principal característica, combinando os termos em inglês stable (estável) e coin (moeda).
Diferente do bitcoin (BTC) ou de outras criptomoedas conhecidas pela alta volatilidade, o objetivo de uma stablecoin é manter seu valor sempre fixo e previsível. Logo, isso significa que uma stablecoin pareada ao dólar sempre buscará valer US$ 1. Da mesma forma, uma atrelada ao real sempre buscará valer R$ 1.
Como as stablecoins mantêm seu valor estável?
A estabilidade das stablecoins é garantida por uma reserva de garantia equivalente, também chamada de “lastro”. Sendo assim, pense em cada moeda digital como um recibo que representa um valor real guardado em um cofre.
Existem diferentes tipos de garantia para manter o preço. Os quatro modelos principais são:
Lastro em moedas tradicionais como USD, BRL e Euro (centralizada)
Este é o tipo mais comum e fácil de entender. Para cada stablecoin criada (ex: 1.000.000 de USDC), a empresa emissora mantém o valor equivalente em caixa (US$ 1.000.000) em contas bancárias auditadas.
Alguns exemplos populares são USDT (Tether), USDC (Circle), BRZ (Transfero), EUROC (Circle).
Lastro em commodities (commodity-colateralizada)
O valor é atrelado a ativos físicos, como ouro, prata, obras de arte ou petróleo. Uma stablecoin lastreada em ouro, por exemplo, terá seu preço vinculado ao grama ou à onça do metal.
Lastro em criptomoedas (cripto-colateralizada)
A garantia da stablecoin é um “cofre digital” (um smart contract) que contém outras criptomoedas que são voláteis, como Ethereum (ETH). Para se proteger da variação de preço desses ativos de garantia, o sistema exige uma sobrecolateralização.
Funciona assim: para emitir o equivalente a US$ 100 em stablecoins, o usuário precisa depositar um valor maior, como US$ 150 em Ethereum, nesse cofre.
Esse “extra” de US$ 50 serve como segurança. Se o preço do Ethereum cair, a reserva ainda é suficiente para garantir o valor das stablecoins emitidas. Todo esse processo é automatizado e transparente, gerenciado pelos contratos inteligentes.
O principal exemplo é DAI, a stablecoin descentralizada mais conhecida.
Lastro algorítmico (ou não-colateralizada)
Este é o modelo mais ousado e, historicamente, o mais arriscado, por não possuir uma reserva de garantia direta. Em vez disso, funcionam como um “Banco Central automatizado”, que utiliza algoritmos para gerenciar a oferta da moeda e manter o preço estável.
O mecanismo é baseado penas em oferta e demanda:
- Se o preço sobe (ex: para US$ 1,01): o algoritmo “imprime” (cria) novas moedas e as vende no mercado. Isso aumenta a oferta total, empurrando o preço para baixo, de volta a US$ 1.
- Se o preço cai (ex: para US$ 0,99): o algoritmo usa seus fundos para “queimar” (comprar e destruir) moedas do mercado. Isso reduz a oferta, empurrando o preço para cima, de volta a US$ 1.
Assim, a estabilidade depende inteiramente da confiança de que o algoritmo funcionará sempre. Por não ter um lastro real, este modelo é vulnerável a perdas de confiança que podem levar a um colapso, como já foi visto no mercado.
Para que servem as stablecoins?
Ao unir a estabilidade do dinheiro com a eficiência da tecnologia blockchain, as stablecoins se tornaram ferramentas financeiras extremamente versáteis. Hoje, elas já representam cerca de 60% de todo o volume transacionado no mercado de criptoativos.
Veja os principais casos de uso:
Proteção de patrimônio
Em países com moedas instáveis ou em momentos de incerteza econômica, stablecoins lastreadas em moedas fortes (como o dólar) funcionam como um porto seguro para proteger o poder de compra, sem a burocracia de abrir uma conta no exterior.
Transferências globais
Enviar dinheiro para outro país pelo sistema tradicional é caro e lento. Por outro lado, com stablecoins é possível transferir valores para qualquer lugar do mundo em segundos, 24/7, com taxas muito inferiores às dos bancos.
Pense na seguinte situação: uma empresa no Brasil precisa pagar um fornecedor em Lira Turca.
No método tradicional, o processo é custoso e complexo. É preciso converter Real para Dólar (pagando uma primeira taxa de câmbio) e, depois, converter Dólar para Lira (pagando uma segunda taxa de câmbio), além dos custos de cada intermediário.
Ao escolher fazer o pagamento com stablecoins, a empresa pode simplesmente comprar uma stablecoin de dólar (como USDC ou USDT) e enviá-la diretamente para o fornecedor na Turquia. Ele recebe o valor em minutos e pode convertê-lo para Lira localmente. O resultado é uma operação muito mais rápida, barata e com menos burocracia.
Leia mais: Stablecoins como solução para pagamentos (realmente) sem fronteiras
Pagamentos no dia a dia
As stablecoins estão se tornando uma forma de pagamento viável tanto para o cafezinho quanto para a compra de um imóvel. A grande vantagem é o preço fixo, que beneficia os dois lados da transação.
Para o cliente oferece conveniência e previsibilidade. Um turista, por exemplo, pode pagar suas despesas sem se preocupar com a flutuação da moeda local ou com as taxas do cartão de crédito internacional.
Para o comerciante não há o risco da volatilidade. Logo, não precisa temer que a criptomoeda recebida perca valor.
No Brasil, já existem estabelecimentos que aceitam cripo como pagamento, por exemplo, a rede de Supermercados Zona Sul e a construtora Calper.
Ambas as empresas utilizam soluções como o Transfero Crypto Checkout, um gateway de pagamento que oferece segurança extra ao converter automaticamente o valor recebido em cripto para Reais. Logo, não é necessário ter qualquer receio em relação à volatilidade.
Acesso a mercados e investimentos globais
Para brasileiros que desejam investir no exterior, as stablecoins são uma ponte ágil e eficiente para corretoras e plataformas globais. Afinal, ao “dolarizar” o patrimônio fica muito mais simples acessar ativos internacionais.
Antes era necessário enviar Reais do banco para uma corretora no exterior, o que envolve ordens de câmbio (com taxas, spread e horário comercial), demora e burocracia. Com as stablecoins você pode usar Pix para comprar USDC ou BRZ em uma plataforma local, por exemplo, e depois transferir para qualquer corretora no mundo em questão de minutos a qualquer horário.
Finanças Descentralizadas (DeFi)
Com as stablecoins é possível acessar plataformas de Finanças Descentralizadas (DeFi), onde é possível pegar empréstimos, obter rendimentos (staking) e explorar oportunidades de investimentos sem precisar de um banco.
Turismo
Plataformas como a Travala permitem pagar por passagens aéreas, hotéis e pacotes turísticos com stablecoins, como USDT e USDC, simplificando pagamentos para viajantes internacionais.
Quais são as vantagens das stablecoins?
As características desses ativos, que podem parecer limitações, na verdade resultam em muitas vantagens para esses ativos, como:
- Estabilidade: Preço previsível, ideal para transações e reserva de valor.
- Velocidade: Transações confirmadas em segundos ou minutos, a qualquer hora.
- Baixo Custo: Taxas muito menores que as de sistemas bancários tradicionais.
- Acessibilidade Global: Envio de valores para qualquer lugar do mundo sem burocracia.
- Transparência: Transações registradas em uma blockchain pública e imutável.
- Controle Total (Auto-custódia): Possibilidade de guardar os ativos em uma carteira digital própria.
- Facilidade de Aquisição: Geralmente, menos burocracia para adquirir do que moedas estrangeiras em casas de câmbio.
Onde e como comprar stablecoins com segurança??
Adquirir stablecoins é um processo simples. O caminho mais comum é através de uma corretora de criptomoedas (exchange).
- Abra uma conta: escolha uma corretora e crie sua conta.
- Deposite reais: transfira o valor em Reais (via Pix ou TED) da sua conta bancária para a corretora.
- Compre a stablecoin: na plataforma procure pela stablecoin que deseja (BRZ, USDT ou USDC) e execute a compra com seu saldo em Reais.
- Armazene: após a compra, você pode manter suas stablecoins na corretora ou transferi-las para uma carteira digital própria (wallet).
No Transfero App, por exemplo, você pode realizar esse processo para comprar BRZ, USDT, USDC e outras criptomoedas de forma rápida e segura.
Stablecoins são parte do futuro financeiro
As stablecoins representam uma ponte eficaz entre o sistema financeiro tradicional e o mundo das criptomoedas. Com isso, elas resolvem dois grandes desafios de uma só vez: a lentidão e o custo do sistema tradicional, e a volatilidade do universo cripto.
Ao oferecerem um caminho seguro, rápido e barato para movimentar valor globalmente, as stablecoins já estão impulsionando negócios e construindo as bases para um futuro financeiro mais eficiente.
