O que é metaverso? Saiba como funciona e como investir

Certamente, você já ouviu falar em metaverso e suas aplicações. Mas, o que exatamente isso significa, para que serve e como investir?

Por Redação  /  12 de janeiro de 2022
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Em 2021, especialmente a partir do segundo semestre, os tokens relacionados ao metaverso passaram a se destacar no universo cripto e tiveram valorização impressionante. Parte do impulso veio dos jogos play-to-earn (nos quais o gamer ganha para jogar), mas outras aplicações se destacaram, nas mais diversas áreas: arte, medicina, venda de terrenos virtuais e identidade digital são apenas alguns dos principais exemplos.

Mas, você sabe exatamente o que é metaverso? Neste post vamos esclarecer todas as suas dúvidas sobre o tema, incluindo detalhes sobre como investir neste mercado –  que promete ser promissor.

O que é metaverso?

O termo metaverso remete a uma nova camada capaz de integrar o mundo real ao digital por meio de tecnologias como realidade virtual ou aumentada (3D), podendo também utilizar hologramas. Assim, as pessoas conseguem uma experiência imersiva nas plataformas online.

Por isso, o metaverso é uma solução que está sendo adotada nos mais diversos segmentos, desde o Facebook (que agora é Meta e oferece aplicações para interação social simulando o ambiente virtual) até as mais diferentes ferramentas – por exemplo, uma nova plataforma (Earthly) que possibilita que organizações interajam com o ecossistema no qual estão inseridas e visualizem alternativas para quantificar a redução ou compensação de emissões de carbono.

Como surgiu o conceito?

O termo (e conceito) do metaverso já havia sido utilizado antes em algumas obras de ficção como no livro “Snow Crash”. Publicado em 1992, a história conta a vida de uma pessoa comum, um entregador de pizza que assume no metaverso a identidade de um samurai.

Também surgiram projetos de games, como o Second Life, de 2003, que simula um ambiente de vida real. No entanto, embora o jogo tenha atraído milhares de gamers, não conseguiu criar uma economia digital. Depois dele, surgiram outros jogos, como Roblox, Fortnite e Minecraft, com várias características que podem viabilizar a rentabilidade – no Fortnite, por exemplo, a cantora norte-americana Ariana Grande realizou um show disponível apenas para os usuários.

No entanto, o conceito ganhou força e visibilidade com o novo posicionamento e mudança de nome do Facebook, que agora (desde outrubro de 2021) é Meta. A rede social, que investiu US$ 50 milhões neste novo segmento, informa que planeja testar universos digitais nos próximos dois anos e desenvolver aplicações de multiverso entre 2031 e 2036.

Outro fator que acelerou o conceito de metaverso foi a Pandemia. Com a necessidade de isolamento social, as aplicações de realidade virtual foram ampliadas. No universo corporativo, as reuniões (nas quais é possível interagir com os demais participantes e inclusive caminhar lado a lado em ambientes virtuais) foram a principal novidade, mas não a única.

Quais as aplicações do metaverso?

As soluções baseadas no metaverso são as mais diversas. Embora o grande destaque seja o universo dos games, as possibilidades são inúmeras e a tecnologia vai muito além disso ao fornecer alternativas para problemas do mundo físico.

“Metaverso é a ideia de uma realidade virtual que se sobrepõe à física”, resumiu o cofundador da Paradigma Education, Felipe Sant’Ana, durante evento promovido pela ABFintechs. Segundo ele, essa tendência não é nova. “Quem não se sente desconfortável ao perder fotos em seu smartphone, arquivos importantes em seu computador ou mesmo a sua chave cripto?”, questionou, mencionando que essas são demonstrações concretas de como o universo virtual já está inserido preponderantemente no real.

Há indústrias de vários segmentos que utilizam o recurso para ganhar eficiência e reduzir custos. Um exemplo é o setor automotivo, que durante a pandemia adotou os protótipos virtuais para o desenvolvimento  de projetos no chão de fábrica.

Confira outros exemplos de como o metaverso está presente em diversos setores e atividades do dia a dia:

Educação e trabalho

Em outras áreas, como na educação, o metaverso permite simulações de ambientes ou laboratórios, permitindo que o aluno tenha vivências reais de sua experiência. Outro exemplo é no mundo corporativo, onde vários usos são possíveis. Desde reuniões com interação pessoal/ virtual entre os participantes, até treinamentos mais especializados podem ser feitos à distância.

E-commerce

Em e-commerces, a ideia é melhorar a experiência dos clientes, que podem experimentar roupas, acessórios ou equipamentos de forma virtual e totalmente remota. Além disso, assim como na indústria automotiva, é uma solução promissora para a gestão de armazéns logísticos.

Medicina

Imagine alunos do curso de medicina aprendendo sobre o corpo humano à distância e cirurgias remotas, em um protótipo virtual? A medicina é um dos segmentos com maior potencial para o uso das novas tecnologias.

Várias possibilidades estão sendo desenvolvidas: cirurgias à distância, roupas que podem medir o nível de temperatura e transpiração do corpo humano, cursos nos quais os alunos não precisam de corpos reais para aprendizado, entre outras, são algumas das inovações.

Arte

No ambiente artístico, os NFTs também se destacaram, especialmente pelo fato de garantirem a autenticidade das obras e a exclusividade da propriedade. Para os artistas, isso representa uma grande revolução, uma vez que não é mais necessário ter um intermediário para a comercialização de suas obras.

Além disso, as artes podem ser replicadas inúmeras vezes, mas a original está preservada e a sua autenticidade garantida por smart contract – aliás, na visão de alguns artistas, quanto mais cópias, melhor, pois a obra se torna mais conhecida e, portanto, mais valorizada.

Games

Na área de games o metaverso encontra grande força, pois, o usuário tem experiências mais reais nos jogos, o que aumenta sua motivação e engajamento. Quem já esteve em um parque temático como a Disney ou a Universal, certamente experienciou atrações que envolvem simuladores que usam tecnologia como realidade virtual e simuladores em 3D.

Além disso, há jogos online em que o metaverso está cada vez mais presente, com o objetivo de proporcionar ao jogador a melhor experiência de imersão. Outro ponto é que os itens necessários para os games (armas, ferramentas, vestimentas, entre outros) são tokens não-fungíveis (NFTs). Com isso, prometem boas alternativas de investimento com tokens como GALA, The Sandbox (SAND) e o Axie Infinity (AXS).

NFTs são fonte de renda no metaverso

No universo dos games que integram o metaverso, cada item obtido – um avatar, personagem ou outros recursos do jogo, como armas, roupas, terras etc – é único. Isso significa que, diferentemente dos jogos tradicionais, apenas um gamer terá a propriedade do item em questão, o que aumenta o seu valor e o torna disputado pelos demais jogadores.

Esse foi o conceito que fez com que jogos play-to-earn se tornassem uma fonte de renda para muitas pessoas. Quem tem o item, tem valor. E, para assegurar a originalidade e autenticidade deste item, os tokes não fungíveis (NFTs) foram necessários.

“Cada vez mais, as aplicações do metaverso se confundem com o mundo real. Seja por meio de games, cujos investimentos ultrapassam a casa de US$ bilhões, os quais inclusive se tornaram fonte de renda para muitos usuários, seja em função de outras aplicações, como saúde e educação, as novas ferramentas passaram a ter valor econômico e social”, disse Felipe Sant’Ana.

Segundo ele, a tendência para o metaverso é de que cada vez mais as simulações fiquem próximas à realidade, sendo difíceis de dissociar. “Temos, pela frente, um horizonte novo de modelos de negócio e formas de criar conteúdos online, que antes não eram possíveis ou factíveis”, comentou. A criatividade para novas soluções será o limite.

Quais empresas apostam no metaverso?

Além do Facebook, outras organizações, como Nvidia, por exemplo, anunciaram investimentos na área. Em agosto de 2021, o NVIDIA Omniverse, uma plataforma colaborativa de simulação, se tornou disponível online. Nela, designers, artistas e outros profissionais podem trabalhar juntos na construção de metaversos.

A Microsoft, por sua vez, criou o Mesh, uma plataforma que permite a realização de reuniões com hologramas. Também criou avatares 3D para o Teams, sua ferramenta de comunicação.

Já a Nike criou a Nikeland, uma plataforma dentro do game Roblox. Em dezembro, a multinacional americana adquiriu uma startup especializada em NFTs de moda.

Até mesmo o Banco do Brasil aderiu à tendência, no final de 2021, incluindo uma experiência virtual dentro do servidor do game GTA, que permite que o gamer abra uma conta bancária para seu personagem.

Como investir no metaverso?

Existem várias oportunidades para investir neste novo mercado. Confira:

  • terrenos virtuais que podem ser valorizados por meio de aluguel ou venda. É possível construir um imóvel na área virtual e capitatizá-lo de diversas maneiras, à semelhança do mundo físico;
  • comprando tokens dos principais games relacionados ao metaverso, que ganham valor conforme o projeto desperta interesse entre seus usuários;
  • investindo em tokens diversos do metaverso – vale lembrar que roupas, objetos, veículos, objetos colecionáveis, obras de arte, entre outros, podem ser tokenizados;
  • investindo em ações de empresas que apostam em soluções e funcionalidades do metaverso, tais como as do Facebook/Meta;
  • por meio de fundos de ETF dedicados a este fim, como o Roundhill Ball Metaverse ETF, que foi lançado recentemente, em junho de 2021, indexado pelo Ball Metaverse.