BRZ: guia da stablecoin do real brasileiro (BRL)

Descubra como o BRZ está revolucionando as transações no mundo das criptomoedas e entenda os benefícios de usar o token

Carolina Mattos  /  19 de dezembro de 2025
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Descubra o BRZ, a stablecoin que leva o Real para dentro da blockchain mantendo a paridade de 1 para 1. Neste artigo, veja como essa moeda digital une a segurança de reservas auditadas à agilidade que você precisa para se proteger da volatilidade do mercado cripto. Seja para acessar investimentos globais e finanças descentralizadas (DeFi), ou para realizar pagamentos e transferências internacionais de forma instantânea e barata, entenda como o BRZ funciona e por que ele é a ponte segura entre o seu banco tradicional e a economia digital.

Resumo supervisionado por jornalista.

Em um cenário econômico instável, como um brasileiro pode proteger seu patrimônio e, ao mesmo tempo, acessar as oportunidades globais do mercado de criptomoedas? A resposta para muitos está em uma sigla de três letras: BRZ.

O BRZ é a maior stablecoin pareada ao real do mundo, um criptoativo projetado para manter a paridade de 1:1 com a moeda brasileira. Ele une a estabilidade e a familiaridade do real com a tecnologia e a eficiência da blockchain

Ao longo dos anos, o BRZ se tornou uma das criptomoedas mais negociadas no Brasil. Em 2020, a stablecoin foi dominante em operações na América Latina, com mais de US$ 100 milhões movimentado.

No ano de 2021 atingiu a marca de 1 bilhão de tokens em circulação, movimentando cerca de R$ 5,7 bilhões em transações. Em 2022, foram registradas quase 700 mil operações. Em 2023 foi a segunda stablecoin mais negociada por investidores brasileiros do mercado cripto, segundo a Receita Federal.

Este guia completo explica tudo sobre ele: como funciona, sua importância para o mercado e como você pode usá-lo no seu dia a dia.

O que é o BRZ e como funciona a relação com o real?

Para entender o BRZ, é preciso primeiro compreender o conceito de stablecoin. Diferente do bitcoin ou do ethereum, cujos preços podem variar drasticamente, as stablecoins são criadas para minimizar a volatilidade por estarem atreladas a um ativo do mundo real, como uma moeda fiduciária.

Definindo a stablecoin do real

O BRZ é um token digital criado para que seu valor seja sempre equivalente a R$ 1,00. Ele funciona como uma representação digital da moeda brasileira, um processo conhecido como tokenização. Dessa forma, cada BRZ é, na prática, a versão do real pronta para operar na velocidade e na escala global da blockchain.

O mecanismo de lastro: a garantia por trás do valor

O pilar fundamental do BRZ é seu lastro. Para cada BRZ emitido existe um real (R$ 1,00) correspondente guardado em reservas auditadas, mantidas em caixa e em investimentos de baixo risco. Esse mecanismo assegura que o valor permaneça estável e que os usuários possam convertê-lo para reais a qualquer momento, estabelecendo uma ponte segura entre o sistema financeiro tradicional e o ecossistema cripto.

Disponibilidade em múltiplas blockchains

O BRZ é um token multichain, o que significa que opera em diversas das principais redes blockchain do mercado, como Ethereum, Solana e Polygon. Essa interoperabilidade é crucial, pois permite que os usuários acessem diferentes ecossistemas de DeFi e Web 3.0, escolhendo redes com maior agilidade ou menores custos de transação.

Como surgiu o projeto?

O token foi criado pela Asset Tokenization, um setor da Transfero, a maior gestora e custeadora de ativos digitais da América Latina. Fundada em 2015, a sede da empresa fica na Suíça e as operações abrangem a Europa e o Brasil.

A ideia da stablecoin brasileira surgiu após o tether se consolidar nos EUA. O sistema de manutenção da paridade entre os tokens e uma moeda fiduciária adotado pelo modelo foi o primeiro a ter a eficiência reconhecida pelo mercado. Márlyson também disse que:

O BRZ foi criado para ser o primeiro ativo digital lastreado em uma moeda de um país emergente, nesse caso o real brasileiro. Nossa visão está alinhada ao movimento internacional de países como a China, que entenderam a importância de ter moedas nacionais na blockchain.

Como funciona a stablecoin brasileira?

Existe moedas digitais em blockchains centralizadas emitidas e administradas por autoridade monetária dos países, como os Bancos Centrais. Chamados de CBDC, muitos países estão em fase de desenvolvimento e implementação dessa ideia. No Brasil, por exemplo, o projeto do real digital é o Drex.

Apesar de características parecidas, como a paridade 1:1, o BRZ não é uma CBDC, mas uma stablecoin. Neste caso, a emissão depende de empresas privadas e a paridade dos valores a ativos soberanos depende de códigos.

Segundo Márlyson: “O BRZ está seguindo a trajetória para a qual foi desenhado: ampliar as alternativas de negociação dos investidores brasileiros e conectar o mercado local com as exchanges globais”.

Entenda algumas características do token:

Proxy Contract

É possível fazer fazer alterações no contrato do BRZ sem a necessidade de criar um novo token.

Mintagem

Inicialmente, o BRZ era emitido pelo processo de multisgn, mas mudou para mintagem exclusiva em um endereço específico da tesouraria. Com isso, o processo ficou mais seguro e transparente. Afinal, a emissão da stablecoin foi centralizada e a gestão de dados desse tipo de governança evita a perda de chaves de segurança e acessos indevidos ao sistema.

Casas decimais

Apesar de lançado com 4 casas decimais, a quantidade aumentou para 18 em uma atualização do contrato.

Emissão controlada pela tesouraria

O endereço de mintagem do BRZ será exclusivo da Tesouraria. Ou seja, o procedimento oferece mais centralização e segurança, definindo estratégias de distribuição para cada novo token criado.

Presença em blockchains

O ativo está integrado às blockchains da RSK Network, Ethereum, Avalanche, Solana, Stellar, Algorand, Binance Smart Chain, Moonbeen e Hathor Network. Essa integração do BRZ a diversas blockchains visa dar conta da crescente demanda por stablecoins em blockchains públicas no mundo, o que exige uma infraestrutura de rede escalável para suportar mais transações.

O contrato do BRZ passou por atualizações em 2023 para aumentar a segurança, eficiência, governança, acessibilidade, aceitação e credibilidade do projeto. Com as mudanças, as oportunidades em DeFi e CeFi também aumentaram. A mudança ajudou com a conformidade de regulamentações globais além de outras melhorias significativas. Segundo o Chairman da Transfero, Márlyson Silva:

A conformidade com regulamentações globais abre portas para mais oportunidades de listagem em exchanges internacionais. Portanto, essas melhorias ampliam as oportunidades e os benefícios para os usuários, fortalecendo o ecossistema do BRZ. Além disso, o usuário brasileiro agora tem mais opções e oportunidades em DeFi, podendo escolher as redes e os projetos que preferir. E é exatamente esse o objetivo com o BRZ: permitir que o usuário final tenha a liberdade para escolher melhor como utilizar os seus recursos.

BRZ é seguro? Entenda os pilares de gestão

A confiança no BRZ é construída sobre quatro pilares fundamentais que garantem a estabilidade e a integridade do ativo:

Solidez

Cada unidade de BRZ emitida é 100% lastreada em reservas financeiras. Isso significa que, para cada BRZ em circulação, há R$ 1,00 guardado e auditado, garantindo a paridade 1:1 e a solvência do token a todo momento.

Transparência

As reservas são verificadas regularmente por firmas de auditoria independentes, e seus relatórios (attestations) são disponibilizados publicamente, permitindo que qualquer pessoa confirme a integridade do lastro. 

Confiabilidade

A segurança do BRZ é reforçada pela robusta infraestrutura das blockchains em que opera, como Ethereum e Solana. Além da tecnologia, a Transfero mantém parcerias estratégicas com instituições financeiras e de custódia para dar suporte e segurança a todas as operações.

Disponibilidade

Diferente do sistema bancário tradicional, o BRZ opera na velocidade da blockchain. Isso garante a disponibilidade para movimentações 24 horas por dia, 7 dias por semana, em qualquer lugar do mundo. Assim, proporciona liberdade e eficiência para os usuários.

stablecoin pareada com o real
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Para que serve o BRZ?

A versatilidade do BRZ permite que ele seja usado em diversas frentes, tanto por investidores experientes quanto por iniciantes que buscam simplicidade e segurança.

Trading em exchanges: agilidade para o investidor brasileiro

O BRZ é um dos principais pares de negociação (trading pairs) em corretoras que operam no Brasil. Ele permite a compra e venda de outras criptomoedas sem a necessidade de conversão constante para stablecoins de dólar, simplificando a gestão do portfólio e o cálculo de lucros na moeda local.

Acesso a finanças descentralizadas (DeFi)

O BRZ abre as portas do universo DeFi para quem pensa em reais. Usuários podem depositar seus tokens em protocolos descentralizados para pegar empréstimos ou obter rendimentos (yield farming), seja com juros sobre empréstimos ou taxas de negociação em pools de liquidez, tudo sem sair da referência da moeda brasileira.

Pagamentos no dia a dia

Uma das funções mais importantes do BRZ é sua utilidade no mundo real. Com soluções como o Transfero App e seu cartão, é possível usar o saldo em BRZ para compras cotidianas em qualquer estabelecimento que aceite as bandeiras tradicionais. 

Para viajantes estrangeiros no Brasil, o BRZ é uma solução inteligente para pagamentos por ser uma forma de evitar taxas de câmbio, a preocupação com o bloqueio de cartões internacionais e a necessidade de portar dinheiro em espécie.

Leia mais: Como usar criptomoeda como forma de pagamento?

Rendimentos em reais para o investidor estrangeiro

O BRZ também funciona como uma porta de entrada para o mercado de rendimentos do Brasil, que se destaca globalmente por oferecer retornos elevados para baixo risco. Investidores estrangeiros podem converter fundos de dólar ou euro para BRZ e aplicá-los em plataformas de DeFi, buscando os rendimentos atrativos da economia brasileira de forma simples.

Remessas mais rápidas e baratas

Enquanto operações tradicionais de câmbio e remessas envolvem altas taxas e burocracia, o BRZ simplifica o processo para remessas enviadas ao Brasil. Com ele, é possível receber valores do exterior de forma quase instantânea e com custos significativamente menores, sendo uma solução eficiente para empresas e pessoas físicas.

Proteção (Hedge) contra a volatilidade cripto

Em momentos de alta volatilidade no mercado, o BRZ funciona como um porto seguro. Investidores podem converter seus criptoativos voláteis (como bitcoin) para BRZ, protegendo o valor de seu capital em reais sem precisar sair do ecossistema cripto.

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Onde e como comprar BRZ?

A compra da stablecoin pode ser em exchanges nacionais e internacionais, pois o token está listado em corretoras do Brasil, Europa, China e Estados Unidos.

Após a compra, você pode manter seus BRZ na corretora ou transferi-los para uma carteira pessoal da qual você controla as chaves privadas. A escolha depende do seu perfil de uso e necessidade de segurança.

Algumas dicas para usar BRZ com segurança incluem:

  • Verifique os contratos: ao usar o BRZ em plataformas DeFi, sempre confirme se está interagindo com o endereço do contrato oficial do token para evitar fraudes.
  • Guarde em uma wallet segura: mantenha seus BRZ em uma carteira digital confiável, seja para transações rápidas no dia a dia (hot wallet) ou para armazenamento de longo prazo (cold wallet).
  • Cuidado com promessas de lucro: desconfie de plataformas que prometem rendimentos fixos e muito altos utilizando BRZ. Sempre faça sua própria pesquisa.

Confira exemplos de plataformas para comprar BRZ:

Transfero App

Transfero App é a plataforma da empresa que criou o token. Confira o passo a passo de como criar sua conta e comprar ativos na plataforma.

Crypto.com

A plataforma conta com mais de 10 milhões de usuários e oferece diversos serviços, como empréstimos, aplicações DeFi e staking. Com a listagem do BRZ, os usuários brasileiros podem comprar BRZ na plataforma e, a partir disso, trocar o token por outros ativos.

Segundo Márlyson:

A chegada na Crypto.com reforça o BRZ como a melhor forma dos brasileiros acessarem as soluções globais do mercado de criptoativos.

CoinPayments

O BRZ está na maior processadora de pagamentos em cripto do mundo. O CoinPayments está presente em mais de 160 países com mais de 500 mil estabelecimentos físicos e 10 mil lojas virtuais cadastradas. Com a listagem do BRZ, os usuários podem pagar suas compras internacionais com a stablecoin de forma simples e ágil, afinal, não precisa fazer uma operação de câmbio.

O Business Manager da empresa no Brasil, Rubens Neistein disse:

A entrada do BRZ será mais uma facilidade para os lojistas nacionais, que poderão optar por receber em cripto ou em real, com taxas menores do que as praticadas pelas administradoras de cartões de crédito e débito e de forma segura e transparente. No Brasil, já temos mais de mil lojas utilizando esse sistema de pagamento.

Os pagamentos acontecem por meio da integração da CoinPayments com a fintech Shipay. Para os empreendedores interessados em adotar a solução, basta abrir uma conta digital (wallet) na CoinPayments.

Phemex

Além de possibilitar que os brasileiros façam depósitos via Pix, a exchange também disponibiliza pares de moedas com o BRZ para facilitar a exposição a outros criptoativos na plataforma. Assim, exemplos de ativos em par com o token brasileiro são BTC, ETH, USDT e USDC.

Para André Silvestrini, Business Developer Manager da Phemex, a listagem do BRZ e a facilidade do depósito via Pix exemplificam os esforços da exchange em facilitar a experiência dos brasileiros no mercado cripto.

O nosso objetivo é sempre deixar a experiência mais barata e prática para o público brasileiro. É uma forma de facilitar a jornada de quem se interessa por cripto e quer conhecer as melhores oportunidades de investimento nesse mercado.

BigONE

A BigONE é uma exchange crypto-to-crypto lançada em 2017. Com sede em Cingapura, a atuação é global, mas os principais mercados da empresa são Rússia, Brasil, Vietnã, Seychelles, Cingapura, Japão e Indonésia. O site negocia BTC, ETH, BCH e mais de 140 tokens premium para negociação à vista, incluindo o BRZ.

Bitget

Quando lançado na plataforma em 2022, a compra de BRZ com Pix estava com taxa zero. A exchange fechou parceria com a Transfero Payments para oferecer essa facilidade aos usuários da plataforma. Com o token, os clientes brasileiros cosneguem acessar mais facilmente o mercado à vista, de futuros ou o copy trade da Bitget.

Bybit

Com mais de 15 milhões de usuários, a Bybit é considerada uma das maiores exchanges que existem no mercado cripto. Além da negociação de criptomoedas, a plataforma oferece serviços como staking e produtos relacionados à DeFi.

Paxful

A Paxful é um marketplace de criptomoedas peer-to-peer (P2P) que tem o BRZ listado dentre os ativos da plataforma. Márlyson Silva, Chairman da Transfero disse:

A Paxful é um dos maiores marketplaces P2P de ativos digitais e já mostrou ter muita força em países emergentes. Ter o BRZ na Paxful irá melhorar o acesso de vendedores de criptoativos ao mercado brasileiro.

NovaDAX

A NovaDax é uma exchange brasileira que oferece mais de 50 combinações de pares de criptomoedas contra o real, bem como pares cripto-cripto. A exchange também tem uma área voltada a clientes institucionais com serviço de OTC – serviço de comércio de cripto no atacado – e acesso à API.

Além destas, há outras plataformas com o BRZ listado e cada vez mais corretoras estão disponibilizando o token.

BRZ como pilar da economia digital no Brasil

O BRZ é mais do que um criptoativo, sendo uma peça fundamental da infraestrutura que conecta o mercado financeiro brasileiro ao ecossistema global de blockchain. Ao oferecer estabilidade, segurança e uma vasta gama de casos de uso, ele facilita a adoção de ativos digitais e fortalece a presença do real no cenário internacional.