Muitos consumidores ainda não entendem como a tecnologia funciona, tampouco fazem ideia de que ela já é aceita como meio de pagamento por inúmeros estabelecimentos comerciais. O processo de educação cripto é contínuo e colaborativo, movido tanto pela iniciativa pública quanto pela privada.
Construir uma força-tarefa com esse objetivo é desafiador, mas viável. As principais blockchains já oferecem módulos educacionais, voltados tanto a iniciantes quanto a desenvolvedores que buscam atualização e querem adaptar seus conhecimentos à nova realidade.
Principais iniciativas de educação cripto
O diretor de educação e pesquisa da ABCripto, Fábio Moraes, disse ao Panorama que o órgão está prestes a lançar uma plataforma educacional, feita com a ajuda de mais de 60 parceiros. Intitulado HUB ABCripto, o serviço oferecerá certificação profissional aos que chegarem até o fim do processo de qualificação.
“Os RWA são um bom exemplo de produtos digitais que podem oferecer baixo risco aos investidores. Fazemos eventos, programas e cursos explicando como esses mercados funcionam”, afirma Moraes. A tokenização de ativos reais tem crescido substancialmente ao longo dos últimos anos, com grandes players dominando boa parte do market share global.
Interessados em entrar no mundo do desenvolvimento blockchain podem entrar em contato com a associação através de seu site oficial. O primeiro módulo de ensino, o CEAV Fundamentos, custa R$ 199 para não associados e R$ 99 para associados.
“Para as novas gerações, cripto certamente não será um bicho de sete cabeças. Muitos já ouviram falar e alguns já compraram. O maior desafio é utilizá-lo corretamente, entender que o consumo é importante, mas que pensar no futuro é essencial”, finalizou.
Seguindo pelo mesmo caminho, o Transfero Academy abre turmas regularmente com o mesmo objetivo: detectar e ensinar talentos da tecnologia a explorar o seu potencial. Os programas apresentam aos estudantes desafios que devem ser resolvidos pontualmente, simulando um ambiente real do mundo dos negócios.
Para acompanhar a abertura de novas turmas e as condições de ingresso, basta acessar a página do Academy, clicar em Sign Up Now (Inscrever-se agora), preencher o formulário e aguardar novas informações. As comunicações preliminares são realizadas por e-mail.
Soluções locais estão em evidência
Durante o Blockchain.RIO 2025, uma parcela considerável do espaço foi ocupada por projetos do Sebrae-RJ – entidade privada sem fins lucrativos que ajuda na capacitação e promoção de pequenos negócios.
Aplicativos de delivery de comida em favelas, de controle de detritos orgânicos, entre outros, foram exibidos ao público. Todos os projetos têm algo em comum: o uso da tecnologia blockchain para garantir estabilidade, segurança e escalabilidade.
Diante do aumento das tensões globais nos últimos anos, o fortalecimento das economias locais surge como alternativa para mitigar os impactos geopolíticos sobre a economia nacional. Afinal, as criptomoedas são, por definição, neutras em relação às decisões governamentais. Sua soberania é definida pela própria comunidade de usuários e desenvolvedores de seus respectivos projetos.
A prefeitura do Rio de Janeiro, através do projeto Porto Maravalley, busca atrair empresas e talentos do setor blockchain para atuar no estado, fortalecendo a sua imagem como hub de inovação tecnológica.
Banco Central tem postura moderna, diz Moraes
O diretor de educação e pesquisa da ABCripto mencionou que a postura de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil (BCB), é otimista em relação ao universo cripto. “Tendo em vista o valor que está sendo investido em tecnologia pelo órgão, é bastante seguro afirmar isso”, comentou.
O governo federal tem sinalizado interesse em promover uma integração robusta com o mercado 100% digital descentralizado e distribuído. O Drex permitirá a integração de serviços financeiros regulados pelo BCB a plataformas de finanças descentralizadas (DeFi), entre outras modalidades de investimento emergentes.
Dessa forma, a educação cripto se mostra necessária para alinhar a sociedade à realidade do novo dinheiro. “Vejo o Brasil na vanguarda dessa revolução cripto. Tanto ele quanto Campos Neto são dois entusiastas da tecnologia”, finalizou Moraes.
