Salário em criptomoedas: como receber pagamentos em ativos digitais?

Entenda os benefícios, os riscos e as regras legais para receber seu salário em criptomoedas no Brasil, seja CLT, PJ ou freelancer

Redação  /  30 de setembro de 2025
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O pagamento de salários com criptomoedas é uma tendência crescente, impulsionada pelo trabalho remoto e equipes globais, oferecendo benefícios tanto para colaboradores quanto para empresas. Para os funcionários, as vantagens incluem a proteção contra a inflação, a eficiência em remessas internacionais sem as altas taxas bancárias e o potencial de valorização do ativo recebido. Para as empresas, pagar em cripto é um diferencial para atrair talentos de tecnologia e simplifica a folha de pagamento de equipes distribuídas globalmente, reduzindo custos operacionais e garantindo transações mais rápidas e seguras.

No Brasil, a legalidade dessa modalidade depende do regime de contratação: não é permitido o pagamento integral do salário em cripto para funcionários CLT, pois a lei exige o pagamento em moeda corrente (real). No entanto, para prestadores de serviço (PJs), freelancers e no pagamento de bônus, há total flexibilidade, desde que haja acordo entre as partes. É crucial que o recebedor esteja ciente dos riscos, como a volatilidade dos preços — que pode ser mitigada com o uso de stablecoins — e da obrigação de declarar o recebimento no Imposto de Renda.

Resumo supervisionado por jornalista.

Com a ascensão do trabalho remoto e de equipes globais, a forma de receber a remuneração também está evoluindo. Nesse sentido, o pagamento de salários com criptomoedas surge como uma alternativa que oferece flexibilidade e novas possibilidades financeiras tanto para colaboradores quanto para empresas.

De fato, essa tendência já se reflete em números: um levantamento da Deel, empresa de recrutamento remoto, mostrou que 5% dos salários na América Latina em 2022 foram pagos em criptoativos, com destaque para a Argentina, onde a instabilidade econômica impulsionou a adoção.

Com isso, surgem questões importantes: como essa modalidade funciona na prática? É legal no Brasil? Quais são os reais benefícios e riscos? A seguir explicaremos tudo o que você precisa saber sobre o recebimento de salário em moedas digitais.

Como funciona o pagamento de salário em cripto?

O pagamento de salário em cripto é uma transferência direta de ativos digitais da empresa para o colaborador e pode ser usado desde bitcoin (BTC) e stablecoins até memecoins. 

Geralmente há um acordo que pode assumir diferentes formatos:

  • Pagamento integral: 100% da remuneração em uma criptomoeda específica;
  • Pagamento parcial: uma parte em cripto e o restante em moeda fiduciária;
  • Bônus e PLR: a remuneração variável é paga em ativos digitais, enquanto o salário fixo permanece em moeda fiduciária.

Uma das áreas em que essa alternativa de pagamento com cripto está se popularizando é o universo dos esportes. Por exemplo, jogadores como Messi já receberam parte de seus salários com moedas digitais; no caso do argentino, ele recebia uma parcela dos mais de US$ 40 milhões anuais do PSG em fan tokens.

Da mesma forma, o lutador de UFC Matheus Nicolau, que recebe parte de suas premiações em bitcoin, mencionou as vantagens da agilidade do sistema em entrevista ao Estadão: “As negociações acontecem muito rápido, sem depender do funcionamento do banco. Receber em cripto facilitou o controle do meu dinheiro.”

Contudo, essa tendência não se limita ao mundo esportivo. Nos Estados Unidos, a adoção também se reflete na esfera pública, com a Prefeitura de Miami aprovando o pagamento de salários de servidores em bitcoin já em 2021.

No ano seguinte, a América do Norte registrou um aumento de 7% na participação geral dos pagamentos em criptomoedas, envolvendo desde jogadores de futebol americano até os prefeitos de cidades como Nova York e Miami.

Onde e como receber seu salário em cripto?

O processo para receber o pagamento é simples. Primeiro, o colaborador e a empresa definem qual criptoativo será usado. Em seguida, o colaborador informa o endereço público de sua carteira digital, e a empresa realiza a transferência. Após a validação na blockchain, os fundos ficam disponíveis.

A principal escolha que o colaborador precisa fazer é onde receber esses fundos. Existem duas opções principais:

  • Corretora (Exchange): esta é a alternativa mais prática para quem planeja converter parte do salário em moeda fiduciária. Como a plataforma já integra as ferramentas de negociação e saque, o processo para transformar os criptoativos em dinheiro na conta bancária é mais rápido e direto.
  • Carteira pessoal (Wallet): utilizar uma carteira pessoal, seja um aplicativo no celular (hot wallet) ou um dispositivo físico (cold wallet), oferece autocustódia total. Isso significa que apenas você tem o controle sobre as chaves privadas e, consequentemente, sobre seus fundos, sem depender de um intermediário.

Leia mais: Cold wallets e hot wallets: qual a melhor no mercado cripto?

Vantagens de receber o salário em moedas digitais

Os benefícios dessa modalidade vão além da simples inovação, trazendo soluções práticas para desafios financeiros.

Para o colaborador

  • Proteção contra a inflação: em cenários de desvalorização da moeda local, receber em criptomoeda pode facilitar a proteção do poder de compra.
  • Eficiência em remessas internacionais: para quem trabalha remotamente para empresas estrangeiras, receber em cripto elimina a burocracia, as altas taxas e a demora das transferências bancárias internacionais.
  • Potencial de valorização: receber em um ativo como o bitcoin funciona como um investimento automático, com potencial de valorização do capital ao longo do tempo.
  • Autocustódia: ao receber em uma carteira pessoal, o colaborador tem o controle total sobre seus fundos, ou seja, não depende de intermediários bancários para acessar ou movimentar seu dinheiro.

Para a empresa

  • Atração e retenção de talentos: oferecer o pagamento em cripto funciona como um forte diferencial competitivo para atrair e reter profissionais de tecnologia e da Web 3.0, afinal, eles valorizam a flexibilidade e a inovação.
  • Eficiência e redução de custos em pagamentos globais: para empresas com equipes distribuídas pelo mundo, pagar em cripto simplifica muito a folha de pagamento. Dessa forma, unifica a moeda, elimina intermediários e reduz os custos operacionais com taxas de transferência e câmbio, em comparação com os bancos tradicionais.
  • Agilidade e segurança nas transações: a confirmação de pagamentos via blockchain é rápida e segura. A natureza irreversível das transações também elimina riscos associados a estornos e fraudes, mas também garante maior previsibilidade para o financeiro da empresa.

Este é o ponto mais importante e que gera mais dúvidas. A resposta curta é: depende do seu regime de contratação.

A regra para funcionários CLT

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) no Brasil é clara ao estipular que o salário deve ser pago na moeda corrente do país, ou seja, em real. Como as criptomoedas não são a moeda oficial brasileira, o pagamento integral do salário de um funcionário com carteira assinada em criptoativos não é permitido pela legislação atual.

A flexibilidade para PJs, freelancers e prestadores de serviço

O cenário muda para quem não é CLT. Como afirma o especialista Julian Lanzadera, “o pagamento de expatriados ou de prestadores de serviço é perfeitamente legal com criptoativos”

Então, contratos de prestação de serviço (PJ), pagamentos para freelancers ou acordos para recebimento de bônus e PLR têm total flexibilidade para serem pagos em cripto desde que haja acordo entre as partes.

Pontos de atenção: volatilidade e imposto de renda

Mesmo nos cenários permitidos, é crucial estar ciente dos riscos e das obrigações envolvidas. Em primeiro lugar, é preciso considerar o risco da volatilidade.

O principal desafio é a oscilação de preços. Por exemplo, um salário de 1 ETH pode valer R$ 20.000 em um dia e R$ 18.000 no outro. Por essa razão, a solução mais eficaz para neutralizar esse risco é optar por receber em stablecoins.

Além disso, existe a obrigação tributária. Receber o pagamento em cripto é um evento tributável e o valor em reais do ativo no momento do recebimento é considerado um rendimento que deve ser declarado no Imposto de Renda. Portanto, manter um registro de todas as transações é fundamental para estar em conformidade com a Receita Federal.

Uma nova fronteira na remuneração

Receber o salário em criptomoedas é uma tendência que reflete a digitalização da economia e do trabalho. Embora exija planejamento e conhecimento das regras, os benefícios de agilidade, proteção e potencial de investimento são claros. Com as ferramentas certas, como as stablecoins para evitar a volatilidade, é possível aproveitar essa inovação de forma segura e consciente.

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